domingo, 19 de agosto de 2012

Após sofrer com suspensões durante todo o Brasileiro, São Paulo inicia política contra cartão


Ney Franco, técnico do São Paulo, boceja durante partida em Barueri
Ney Franco, técnico do São Paulo, boceja durante partida em Barueri
Nas vésperas do fim do primeiro turno, após sofrer com suspensões durante todo o Campeonato Brasileiro, só agora o São Paulo começará a tentar conscientizar seus jogadores a não tomar cartões amarelos. O lateral Bruno Cortez não enfrentará o Corinthians no clássico do próximo domingo por causa de um gancho. Além dele, outros três tricolores foram advertidos durante a vitória sobre a Ponte Preta no sábado.
“Vamos nos reunir com o grupo a partir de segunda-feira e falar sobre isso. É um problema que estamos tendo com frequência e eu deixei passar batido”, admitiu o técnico Ney Franco, preocupado com a impossibilidade de manter um time regular por causa das suspensões.
Ney Franco ficou particularmente chateado com o cartão recebido pelo lateral. “A falta que ele fez foi de jogador que está mal posicionado, que chega atrasado na jogada. Temos que evitar isso.” Outro jogador que receberá uma bronca do técnico é o atacante Osvaldo. Na comemoração de seu gol (o último da vitória por 3 a 0), ele tirou a camisa e recebeu amarelo pelo gesto.
Contra a Ponte, ele precisou fazer as três alterações a que tinha direito exclusivamente para preservar seus jogadores pendurados. O meia-atacante Lucas foi o primeiro a deixar o campo, já que havia sido advertido logo nos primeiros minutos por uma falta forte por trás. Denilson e Cortez também saíram para evitar uma expulsão.
“No gol dele, eu comemorei muito, mas quando o vi tirando a camisa, me fechei de novo. Esse tipo de cartão não é possível mais tomar”, disse o treinador. “Vou morder a assoprar. Dar uma bronca pela cartão e depois elogiá-lo pelo gol.” Osvaldo fazia sua reestreia na equipe após se recuperar de uma contusão que o tirou de campo por um longo período. “Futebol é passional, e o jogador tem suas formas de extravasar”, defendeu o goleiro e capitão Rogério Ceni. “Mas é claro que esse cartão aí pode fazer a diferença mais tarde”, ponderou.
Não ter todos os jogadores à disposição é uma realidade pela qual o São Paulo vem passando desde o começo do Brasileiro. Logo depois das primeiras partidas no comando da equipe, Ney Franco disse que faltava experiência a alguns jogadores para evitar as advertências. Até hoje, o treinador lamenta a expulsão do volante Rodrigo Caio na partida contra o Vasco, no Morumbi, em julho.
O volante havia sido advertido no primeiro tempo. Ney pensou em tirá-lo para evitar uma expulsão, mas resolveu dar um voto de confiança ao garoto de 18 anos. Na etapa final, porém, o jogador tomou o segundo amarelo e foi expulso. O São Paulo perdeu o jogo. “Gato escaldado tem medo de água fria”, decretou o treinador no sábado, com um sorriso no rosto, para explicar o motivo de suas substituições. “Se percebemos que o jogador vai ser expulso, temos que tirá-lo logo.”
Durante a derrota para o Náutico, na última quarta-feira, essa estratégia adotou a sua forma mais extrema quando o zagueiro João Felipe recebeu um cartão no começo do jogo e foi imediatamente substituído pelo treinador. O relógio não marcava nem dez minutos desde o início da partida.
Contra a Ponte, João Felipe foi barrado até do banco de reservas. Segundo Ney Franco, o atleta sentiu dores na região do quadril horas antes do confronto e foi vetado pelo departamento médico são-paulino.
No próximo final de semana, o atacante Luis Fabiano deve voltar ao time, recuperado de uma contusão muscular. O jogador é um dos mais que recebe advertências dos juízes. Ney Franco terá mais trabalho para domá-lo.
Fonte: Uol
Erly Souza

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