quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Futebol chileno fecha o cerco aos torcedores violentos


Torcida do Colo Colo (Foto: Dan Riedlhuber/Reuters)As autoridades chilenas tomaram para si a questão da violência nos estádios locais. Após a morte por esfaqueamento de um torcedor do Colo Colo – agredido por torcedores do próprio clube – o Congresso do Chile aprovou um pacote de leis anti-violência.
As medidas entrarão em vigor assim que o presidente Sebastián Piñera promulgar a lei, o que deverá acontecer em um prazo de até três semanas.
A partir desta data, dirigentes e clubes serão punidos caso seja comprovada colaboração econômica com facções organizadas. Aos cartolas, também serão exigidas responsabilidades na organização e segurança do espetáculo, com a obrigatoriedade de contratação de seguranças privados e aquisição de detectores de metal e catracas dotadas de leitura de código de barras.
Como os documentos de identificação no Chile possuem estes códigos, todo o torcedor será obrigado a utilizá-lo no acesso aos estádios. Um torcedor ficha suja será imediatamente identificado e proibido de entrar no campo.
As punições no país variarão entre suspensão temporárias dos direitos de acesso aos estádios e banimento definitivo, o que poderá ser aplicado a torcedores e dirigentes.
O projeto de lei causou reações negativas das “barras” (grupos considerados mais violentos), que também serão proibidas de ingressarem com bumbos e bandeiras grandes.
Para Cristián Barra, chefe do Plano Estádio Seguro do ministério do Interior do Chile – projeto adotado desde 2011 e considerado o embrião para a nova lei – esta visão pretende desviar a atenção do que realmente importa.
– É claro que eles não gostaram, eles são a base do problema. Mas o que queremos garantir é que os estádios sejam frequentados por quem sabe se comportar adequadamente. E agora, com a responsabilização dos dirigentes, os clubes também passam a ser parte integrante das soluções – disse Barra, em entrevista ao LANCENET!.
Barra estima que, caso a lei já estivesse em vigor, cerca de 2 mil estariam impedidos de frequentar partidas de futebol no Chile.
BATE BOLA
Matías Walker
deputado do Partido Democrata Cristão do Chile ao LANCENET!
Qual é a sua avaliação sobre a qualidade do projeto chileno?
Apresentamos um grande projeto. Estudamos os exemplos de Espanha e Inglaterra para nos inspirarmos. Foi um trabalho conjunto entre governo, Senado e Câmara. Sou deputado de oposição, mas isto se trata de uma política de estado, de país. Os organizadores passam a ser responsabilizados e houve um ponto final no apoio econômico que dirigentes davam aos torcedores violentos em troca de votos nas eleições.
Isto poderá refletir na qualidade do espetáculo em campo?
Claro! Os jogadores eram alvo destes torcedores. Um próprio jogador do Colo Colo admitiu que ele e sua família foram ameaçados por estes mafiosos. Com o estádios frequentados por pessoas que sabem se comportar, os jogadores terão um incentivo maior para permanecerem no Chile.
Principais medidas
Plano de segurança
Os organizadores devem apresentar plano de segurança anterior ao evento. O mesmo será submetido às autoridades. Jogos serão classificados de acordo com o risco. Em caso de não cumprimento do acordo, o estádio pode ser interditado ao uso.
Vigilância
Responsáveis são obrigados a instalar câmeras e detectores de metal. Estádios privados não contarão com recursos públicos. Há um prazo de até 18 meses para a adequação.
Apoio proibido
Dirigentes impedidos de colaborar financeiramente com facções. Torcedores proibidos de portar faixas, bandeiras, rojões e produtos inflamáveis. Descumprimento pode resultar em afastamento de um ano.
Drogas, não
Uso de drogas poderão render suspensão por um ano. Em caso de reincidência, a punição será dobrada.
Cambistas na mira
Revender entradas é crime passível de aplicação de multa pecuniária.

Fonte-Lancenet
Juliano.Gouveia

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