quarta-feira, 8 de agosto de 2012

'Equilibrado'. Neymar divide faro de artilheiro com futebol solidário na Seleção Brasileira

Brasil X Coreia Oscar e Neymar e Romulo - (Foto: Paul Ellis/AFP)Nos poucos mais de três anos de carreira profissional, Neymar acostumou-se a ser artilheiro. Foi assim, por exemplo, com o Santos, na Copa Libertadores do ano passado e no Paulistão deste ano. Nos dois casos terminou como o máximo goleador das competições. O mesmo ocorreu com a Seleção Brasileira no Sul-americano sub-20 do ano passado, torneio que classificou a equipe para os Jogos Olímpicos e do qual foi eleito o melhor jogador. Porém, agora, às portas da possibilidade de conquistar um inédito ouro para o Brasil, o atacante experimenta uma outra faceta, a de assistente.

Nos cinco jogos que conduziram a equipe brasileira até a decisão do próximo sábado, o camisa 11 até fez três gols, um de cada maneira: cabeça, pênalti e falta. Porém, ele tem deixado para Leandro Damião, o artilheiro do torneio, a missão de estufar as redes com mais frequência. O seu papel maior tem sido mesmo de "servir os companheiros", como reza a expressão utilizada desde sempre pelos boleiros. Contra a Coreia do Sul, na semifinal, o atacante não fez nenhum, mas participou de todos os três gols da vitória verde e amarela. As jogadas fantásticas, como as dos gols contra o Flamengo, no Brasileiro do ano passado, e ante o Internacional, na Libertadores deste ano, ficaram um pouco de lado.

- Sempre dei assistências nos jogos pelo Santos e pela Seleção. Estou jogando o meu futebol normal. Ajudar a Seleção a chegar numa final de campeonato é um prazer, um orgulho - declarou o atacante um pouco depois da partida contra os sul-coreanos, no Old Trafford, em Manchester.

No caso, Neymar foi o de sempre ao dizer que não vê nada de diferente. Mas o técnico Mano Menezes não enxerga da mesma maneira e detecta a novo jeito de o atacante exibir seu futebol, com passes para outros jogadores complementarem as jogadas. O treinador, em uma resposta longa, explicou o processo de "equilíbrio" pelo qual vem passando o jovem atleta de apenas 20 anos.

- Falei tempos atrás, e não fui muito bem compreendido em terras nacionais, que a necessidade te obriga a encontrar outras soluções. Jogar com equipes que não te oferecem tantos espaços obrigaria o Neymar a se comportar de maneira diferente. Não é possível colocar o pé em cima da bola e esperar dez segundos

sempre, não é possível. Quando se parte para o drible, o que é muito bonito, você reduz a sua capacidade de passar porque você já fez a escolha. Achar o equilibrio disso torna um jogador melhor ainda. O Neymar dribla em velocidade, tem capacidade de dar assistências, é um dos maiores goleadores que surgiram recentemente, gostar de jogar, tem personalidade para atuar em momentos difíceis. Tem virtudes que só vai desenvolver mais e mais.

Neymar comemora gol de pênalti contra Honduras. Atacante tem três tentos e é o vice-artilheiro brasileiro no torneio 

Neymar chega à decisão tendo participado de todas as partidas do Brasil no torneio olímpico. Mesmo no jogo contra a Nova Zelândia, que encerrou a participação na primeira fase e na qual Mano poupou alguns atletas, o santista esteve presente. Até aqui, ele jogou 436 minutos (só fica atrás do lateral direito Rafael e do zagueiro Thiago Silva, que somam 450 minutos em campo cada um).

Contra Honduras, nas quartas de final em Newcaste, o jogador foi bastante vaiado pelo público local a partir do meio do primeiro tempo, quando sofreu falta do jogador Crisanto e o hondurenho foi expulso. O episódio repetiu algo ocorrido em amistoso contra o Reino Unido, uma semana antes do início dos Jogos, quando a torcida teve o mesmo tipo de comportamento. O jogador disse que as vaias não o incomodam e que ele seguirá jogando o mesmo futebol com incentivos ou críticas.

O atacante buscará, no próximo sábado, às 11h de Brasilia (15h locais), em Londres, levar o Brasil à sua primeira medalha dourada no futebol olímpico. Caso consiga, ele terá em seu currículo algo que jogadores importantes tentaram nas últimas décadas em vão, casos de Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Fonte-Lancenet

Juliano.Gouveia

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